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História, Meio Ambiente, Comportamento e Política.

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01.10.07

Mima e Chocolat

Manhã de domingo em Sampa, com muito frio (para cariocas), vamos tomar café-da-manhã (hábito paulistano) no "Pain et Chocholat".
O agradável estabelecimento fica na Rua Canário, Moema, com mesinhas do lado de fora (há os que preferem) e ambiente menos gelado dentro da casa.
"Mima" com seus pequenos e uma amiga com seus alegres rebentos. Eu, acompanhando a entourage festiva.
Fila na porta. O rapazinho atencioso e solícito: "Mesa para oito? Muito bem! vocês são os próximos".
Aguardamos e observamos. Lotado! Carros e carros despejavam pessoas (casais, e não baladeiros, segundo Mima), para o primeiro repasto.
"Pão de queijo? Sim!" um pratinho para acalmar a inquietude dos pequenos.
Olhando rapidamente o buffet repleto de delícias, a fome aumenta e me faz pensar- "perderam a mão".
Alguém disse, que o local antes seleto e pacífico "bombou", do verbo explodir, suponho, após matéria em revista especializada.
No jardim-de-inverno, mais ao fundo da casa, algumas mesas sobravam, mas o mâitre "coitado", não conseguia visualizar diante do intenso "tráfego" de comensais em volta da doceria exposta.
Quase me adiantei oferecendo ajuda para resolver o problema. Uma atitude carioca: juntar as mesas de 1, 2, 3, lugares e colocar o devido número de cadeiras, que também sobravam. Aritmética simples. Minha prudência em aguardar foi positiva.
A amiga paulistana que nos acompanhava, demonstrando uma praticidade italiana naquele ambiente francês, de brioches, croissants, muffins, cookies, brownies e donuts, resolveu rapidamente a espera, argumentando e decidindo para o atrapalhado rapaz que já andava em círculos.
Gostei de seu pragmatismo, ação movida pela inteligência e pela energia. Disse que não gostava de cariocas até conhecer Mima.
Publicidade! sempre ela, alterando opiniões. "Mutatis mutandis" já agendou viagem para o Rio.
Então, participamos da montagem das mesas. Melhor assim! Alegria e farra completas.

"Crianças no canto! Eu quero sentar perto do meu irmão! chorava a pequenina. Eu quero sentar perto da minha amiga!"

Adultos, santos adultos, auxiliados por uma inflexível e firme babá decidiram a polêmica. Sentados ficam os pequenos à espera do sortido buffet.
Ovos mexidos, pães de todos os tipos, salgados, gâteau e bolinhos, e a criançada de boca cheia, esbanjava felicidade.
Eleito "o melhor de 2007", o local fervia. Reposição precária de copos, xícaras e sucos. Uma "arquiteta de plantão" discorria sobre o melhor layout para a casa, entre um cookie e outro. Outra reclamava da textura de um bolinho. Provavelmente era mole mesmo. A octogenária senhora depois de prová-lo adorou.
Poucas coisas substituem o prazer de comer. E no local citado essa prática é totalmente satisfeita. Acabamos! Felizes, concordando com a revista.
Diferente do Rio onde flanelinhas e pivetes "guardam" seu veículo, e às vezes para sempre, aqui, civilizadamente, entrega-se o auto para um rapaz uniformizado, que devolve a viatura.
Mas, a publicidade, ela de novo, é influenciadora e interfere em qualquer projeto. Esperamos, obviamente. O famoso jargão "the best" tumultua tudo.
Enquanto isso, alegria na calçada: "Quem vai para a casa da tia? - Eu, Eu, em uníssono. Quem vai tomar banho? Quem vai escovar os dentes?"
Alegria barulhenta e infantil. Saudável manifestação dos pequenos trazendo cor à cinzenta São Paulo.
Buscando o carro, já que o manobrista esquecera do ofício, partimos para casa.
Mais tarde, o jovem pai dos pequenos sobrinhos, corintiano roxo, com larga experiência em restaurantes da cidade, foi categórico: "se ela tivesse lido a revista..."
Não leu. A certeza óbvia é inimiga do inusitado. Sem ela, apreciei a movimentação da casa que ficara famosa, a exuberância e capricho dos quitutes, certo que as proprietárias Erika e Cecília transformaram a casa da Rua Canário numa pâtisserie francesa e ambiente de efusiva confraternização gastronômica.
A alegria dos sobrinhos, a gentileza e o carinho de "Mima" com seu tio-visitante e as delícias de "Pain et chocolat" aqueceram meu coração na fria manhã paulistana.
Na despedida, belos, espevitados e gaiatos olhos azuis me fitaram: "tio, eu não vou com você, você vai sozinho para casa".

Aloysio Clemente M. I. de J. Breves Beiler
São Paulo, 30 de setembro de 2007.
www.brevescafe.oi.com.br
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