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Terra Blog

04.10.07

A primeira compra

Um jovem casal no supermercado percorre as gôndolas enchendo seu carrinho de compras. Curiosa conversa travam os recém-casados:

"Bertália? O quê é isso?" pergunta o rapaz.
"Não sei", responde a garota. Mamãe pediu para comprar.

Diante da banca de folhagens a dúvida permanece. Melhor perguntar! diz o moço.
Mais adiante lá estão eles enchendo 3 sacos plásticos com batatas. Será que vão oferecer comida para um batalhão? Ou estão preocupados com a fome no mundo e todo aquele amido vai matar a fome de uma chreche?
A juventude é vigorosa e também generosa. Na dúvida, o carrinho lotado vai se arrastando pelo corredores. Acho que é a primeira compra dos nubentes.
Ao contrário dos casais com mais idade, os pombinhos seguem "o passeio" agarradinhos.

"Amor!, Mô!, fofinha!, Biluca!" e uma pausa para os beijinhos.

Adocicada é a vida nos primeiros albores do matrimônio.

Os de maior experiência são um desastre:

- "Olhe! eu não vou esperar mais de 10 minutos".
- Pra quê comprar isso? Você já não tem?
- Vá comprar as bebidas! Vinho e não cerveja, diz a mulher.
- Não! Não! você disse que ficaria no shopping e agora aparece aqui para atrapalhar as compras? pergunta e afirma ao mesmo tempo o rapaz de meia-idade à chorosa mulher.
- As crianças? Juninhôô!! berra a mãe.
- Você disse que estava tomando conta, seu imprestável! para o atônito pai.
- Vou esperar no carro, decide o homem, exausto das intolerâncias comuns.

Enquanto isso, os jovens continuam a gastar pernas, acumular experiência, e volume em dois carrinhos abastecidos de sua inexperiência.
Também não gosto de fazer compras em supermercado. Sou prático e objetivo: Mollico, Becel e Quacker, são sinônimos de – leite em pó, margarina e aveia, respectivamente.
Fácil de encontrar, não sendo necessária a irritante tarefa que as mulheres desempenham diante das prateleiras. Verificam, olham, provam, medem, desistem, voltam, olham de novo, provam de novo, etc. de novo.
Encontrar com uma amiga é uma "alegria". O "entediado" e "emburrado" acompanhante sofre pelo menos 40 minutos, ouvindo "agradáveis" conversas; e os carrinhos no meio do corredor principal atravancando o trânsito.

Na hora de pagar o homem tira a carteira do bolso traseiro, saca o cartão e, vapt, vput! Está pago.

Elas, quanta delicadeza! Como são misteriosas e grandes as bolsas femininas. Metem a mão com cuidado, como se dentro daquele depósito tivesse uma barata ou uma rã. Vão tentando localizar a carteira ou o cartão. Retiram de tudo um pouco. Batons, espelhos, pentes, cadernetas, minúsculas canetas e óculos escuros.
Cartão? Dinheiro? Ora, isso pode esperar, reflete o triste caixa e a fila que se alonga.
Enfim, pagamos! Pagamos todos nós, homens e mulheres dos tempos modernos, que trabalham para comprar alimentos estocados em grandes áreas chamadas de supermercado, com seus atrativos corredores repletos de produtos conhecidos e desconhecidos para alguns.
Respeitadas as idiossincrasias comuns, alguns consideram a ida ao supermercado um agradável passeio. Outros, caminham para lá como se estivessem indo para o patíbulo.
Não há o quê fazer! somos escravos da modernidade e do progresso construído por nós.

Aloysio Clemente M. I. de J. Breves Beiler
www.brevescafe.oi.com.br
Rio de Janeiro, RJ.
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