Curiosas figuras que circulam por nossas cidades portando um acessório denominado "mochila". De várias cores e estilos adapta-se com facilidade às costas e ombros. Não importa a idade. Hoje, é comum em qualquer ser humano. Quando é de vários tons é provável que quem a carregue seja um jovem estudante. Se for escura e discreta, talvez um executivo ou quem não queira aparecer. O problema que acarreta é o mesmo. Dizem os especialistas que provoca dor nas costas, desvio de coluna, deformações, etc. Concordo com eles. Não uso, muito embora achando prático o acessório, desdenho sua portabilidade. Chamei de homem-mochila porque a peça se incorporou ao físico humano. Por incrível que pareça, acho eu, que quem as usa, ainda não conseguiu resolver sua visão espacial e particularmente o espaço que utiliza, e os limites que esse espaço impõe em relação ao espaço alheio. Entram nos ônibus, elevadores, metrô e em qualquer lugar, definitivamente desengonçados. No elevador por exemplo: quando se viram é "natural" que atropelem alguém com esta nova parte do corpo humano. E como não se dão conta, as desculpas ficam em segundo plano. Não que sejam mal-educados. Claro que não! Ainda não entenderam que o corpo cresceu, e cresceu em grandes proporções com a novidade. Os corpos-mochila são de vários tamanhos. Um verdadeiro espanto. Grandes, gigantes, pequenos e médios. O indivíduo portador dessa mutação social ditada pela moda, ignora completamente os não-portadores-de-mochila. Pobres coitados, nós que não aderimos ao nouveau-style. - "Eu esbarrei em você? perguntou um rapaz outro dia. - Sim, esbarrou. - Desculpe, disse ele. Uma raridade de comportamento! O homem-mochila é irmão da mulher-bolsa-à-tiracolo, do homem-Ipod e do homem-que-grita-no-celular. Outro dia no metrô, pelo menos 15 cidadãos-mochila estavam reunidos. Estudantes, suponho. Como se batiam com as mochilas. Obviamente não percebiam. Abriram uma clareira no vagão, pois quem se atreveria aproximar. Poderia sufocar naquele mar de mochilas coloridas. Sinal dos tempos? E como são pesadas. Uma sobrinha de 10 anos carregava uma com pelo menos 10 kg, totalmente satisfeita. A mãe recentemente comprou uma com rodinhas. Ledo engano e vã tentativa. Não rolou, mesmo com rodinhas. A esperança dos não-usuários é a certeza que essa parte do corpo humano é descartável. Pode-se tirar que não fará a menor falta. Ou será que vai fazer. Os usuários defendem o acessório afirmando que é boa a coisa, principalmente para a escola e viagens. É definitivo, segundo eles! Ao olhar para dentro do artefato encontramos de tudo um pouco. O homem-mochila carrega com prazer, cadernos, livros, CD´s, roupas, canetas, celulares, escova-de-dentes, etc. Ah! Também a indefectível mamadeira de água, suco ou energético, pois o homem-mochila também é homem-mamadeira. Deu sede – uns goles e pronto; não importa o local. Pode ser numa recepção de consulado ou uma "rave" na floresta. É prático o objeto. Pode ser que com o tempo, senhor da razão e do bom senso, a espécie migre para outra novidade menos incômoda. Talvez fique para o homem-mochila a desagradável sensação de efeito Kirliam, como quem perde um braço, e dê saudades da parte perdida. Nada que psicólogos de plantão não possam resolver. Teremos então a terapia da mochila-perdida, das terapias-de-perda dos celulares, Ipod´s e mamadeiras. É viver, ver e crer.
Aloysio Clemente M. I. de J. Breves Beiler – setembro/07 Rio de Janeiro, RJ. www.brevescafe.oi.com.br
O filme "An Inconvenient Truth" - Uma verdade inconveniente - é o renascimento da fênix de Albert Arnold Gore Jr., Al Gore, o candidato derrotado por George W. Bush em 2001.
Segundo à mídia, muitas verdades, algumas incorreções e exageros também (cientistas discutem as afirmações do ex-senador); mas, algo fundamental e de grande importância, principalmente para o povo americano, foi Gore, um americano, assumir publicamente o descaso da política de seu país com o meio ambiente.
Disse: "Somos os maiores poluidores". De fato são!
Isto não tem preço! como diz a propaganda do cartão de crédito. Americanos do Norte não admitem erros. Julgam-se superiores e detentores de títulos mundiais. Num campeonato local, Indianápolis SpeedWay (década de 50) o título era de campeão mundial para o vencedor. Pasmem! Só corriam americanos.
Os EUA são excelentes em marketing político e pirotecnia. O filme produzido por Lawrence Bender, produtor de Quentin Tarantino (Kill Bill) e dirigido por Davis Guggenheim, ganhou o Oscar de melhor documentário. Belas imagens de geleiras derretendo, corte para o sofrimento paterno, para o amor filial e gráficos assustadores.
A mensagem sobre o tabagismo merece elogios, assim como a explosão atômica de Hiroshima nos remete a lembrar que rezar é sempre bom.
Subliminarmente, está gravado em flashes rápidos (só para americanos) a mensagem da COMPETIÇÃO: "Atenção! nós estamos perdendo". E perder não é próprio de quakers, mórmons, judeus e luteranos, base da cultura americana formada nos primórdios da colonização.
Perder significa ERRAR!
Gore, o bom moço americano, é ecologista de carteirinha. Está rico. Viaja mundo afora em palestras (centenas anualmente), fundo de investimentos "verde", projetos sustentáveis, e não nos esqueçamos do consórcio Apple versus Google, do qual é membro, através de seu amigo Steve Jobs. O notebook usado na palestra-filme tinha o logo da maçã.
O mundo vai acabar? Sim e Não. Todos sabemos o quê fazer para evitar isso. E estamos adiantados nessa política. A ignorância da direita religiosa que domina a América, através de seu porta-voz Bush, ajudou muito a piorar as condições climáticas do planeta. Se tivessem assinado o Protocolo de Kioto?
O próximo presidente dos EUA é Al Gore, que nunca foi testado num cargo executivo, e terá que lidar com terrorismo, guerras, inflação, política externa.
Será melhor que Bush? O mundo tem certeza de que sim. Mas também tenho certeza de que americanos não ficarão menos competitivos, menos imperialistas e líderes menores no mundo. A expressão "olhar somente para o seu próprio umbigo" cabe muito bem aos nossos irmãos.
O provérbio africano que diz: "Reze, mas mexa os pés" será seguido à risca por Gore. Aliás, o grupo Yes (década 70) cantava em "Move Yourself".
Rezar é sempre bom; agora o movimento dos pés pode ser de uma dança ou uma marcha militar. Torçamos para que a expressão "mexa-se" não seja trocada por "CORRA".
Aloysio Clemente M I de J Breves Beiler Publicado em Rio, 5 de julho de 2007. História do Café no Brasil Imperial - http://www.brevescafe.oi.com.br